Quer meu vestido? Basta um clique
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A maioria dos brechós virtuais nada mais é do que um blog de plataforma gratuita, como o Blogger e o Wordpress, com as fotos das peças das quais as meninas querem se desfazer, a preço justo — quase nunca na casa dos três dígitos — e um e-mail para encomenda. O frete é por conta do comprador. Já a atualização da página, a cargo da dona do blog. “Não adianta ter um blog e não atualizar. Quanto menos você atualiza, menos visitas recebe. Mesmo que você não tenha novidades para colocar à venda, vale fazer um post de estilo ou tendência”, ensina Patrícia Mills, 35 anos, formada em relações internacionais.
E nem é preciso ficar restrito ao próprio guarda-roupa. Assim como Patrícia e Ludmila, que foram buscar suprimentos em outros brechós, Fran passou a se aproveitar da sua popularidade — ela tem quase mil seguidores no Twitter — para vender peças de outras meninas na sua página. As interessadas mandam as fotos, ela analisa a qualidade da roupa, anuncia no blog e, caso a peça seja vendida, abocanha uma parte do valor da venda. Coleciona fornecedoras de várias partes do país e ganha com o negócio o equivalente a 30% da sua renda total.
Sem a vantagem da negociação cara a cara das lojas físicas, existem alguns mandamentos para a sobrevivência dos brechós virtuais. O pagamento é quase sempre por depósito antecipado em conta corrente. A responsabilidade de que a encomenda chegue ao destinatário é do vendedor. “Já aconteceu de, por um problema nos Correios, encomendas se perderem. Se você tem estoque, tem que repor. Se não, precisa de outros meios de reparar o dano”, avisa Ludmila, 29, graduada em jornalista.
A própria rede já dispõe de ferramentas para que clientes e vendedores entrem em acordo. O Sindicato dos Brechós (www.sindicato-brechos.blogspot.com.br), com o slogan engraçadinho de “A união faz a força”, é um blog por meio do qual compradoras denunciam ou recomendam vendedoras e vice-versa. Cada loja citada no blog ganha uma contagem de recomendações e denúncias. Brechós que não entregam as roupas no prazo ou em boas condições acabam escrachados por quem compra. “Por isso é importante deixar claro o prazo de entrega e se organizar muito nas encomendas”, avisa Fran Monteiro, 25.
Até o início do ano passado, Fran era apenas uma menina que comprava demais. A analista era das antenadas que não passam um dia sequer que não seja on-line, vasculhando blogs e sites de moda. O resultado transbordava pelo guarda-roupa, em peças etiquetadas que jamais saíam do cabide. Conectada 24 horas por dia, sete dias por semana, Fran só podia mesmo encontrar uma solução na rede. O Bazar da Chica (www.bazardachica.blogspot.com) nasceu com 30 peças que, não fosse a criatividade empreendedora de Fran, acabariam encalhadas em um canto da casa ou doadas, sem que ela recuperasse sequer R$ 1 do investimento feito. “Eram roupas novas e eu ficava com dó com de dar fim. Fiz uma pilha para doação e decidi por dar outro destino a essas”, conta a vendedora. Em quatro meses, Fran não tinha nem mais rastro das peças. Um ano depois, vende na rede peças de pessoas do Brasil inteiro a um custo de 15% do total da venda.
Patrícia Mills também sempre se ligou em moda. Há cerca de dois anos, abriu o Flor Brechó (www.florbrecho.blogspot.com) on-line em uma plataforma gratuita. Enquanto isso, exercitava o desapego ao lado da irmã em encontros de brechós na cidade. Primeiro, de seis em seis meses, depois, a cada mês, logo, de duas em duas semanas e, por fim, todos os fins de semana. As roupas próprias acabaram e as caçadoras de relíquias começaram a revender os achados. Em um único domingo de bonança, fizeram, cada uma, R$ 2 mil com os descartes do guarda-roupa. “Nunca foi só negócio. Eu adoro moda. Isso para mim também uma forma de fazer trocas legais e encontrar por aí bons achados com outras pessoas”, conta Patrícia. O passatempo rendeu e, agora, as duas estão à toda com a inauguração de um brechó físico na 413 Norte, ao lado do Bendito Suco.










